A Câmara Municipal de São Paulo decidiu arquivar a sindicância instaurada para investigar a conduta de um servidor de alto escalão acusado de agredir o procurador-geral legislativo da Casa durante um desentendimento relacionado à tramitação de um contrato de convênio. O episódio ocorreu após uma discussão entre o então secretário-geral administrativo Celso Gabriel e o procurador-geral legislativo Paulo Baccarin, envolvendo a análise de um documento institucional.
A investigação interna havia sido aberta após a denúncia de que o secretário teria empurrado o procurador durante uma discussão nas dependências do Legislativo municipal. De acordo com o relato apresentado em registro policial, o conflito começou quando Gabriel pressionou Baccarin para acelerar a avaliação da minuta de um convênio com a Geap, entidade de autogestão em saúde que oferece planos destinados a servidores públicos.
Segundo a versão apresentada pelo procurador, a cobrança teria provocado um clima de tensão entre os dois gestores. A discussão evoluiu e, durante o desentendimento, o secretário teria empurrado Baccarin, fazendo com que ele caísse. O episódio gerou forte repercussão nos bastidores da Câmara, sobretudo por envolver dois integrantes da alta estrutura administrativa da instituição.
À época, Celso Gabriel ocupava um dos cargos mais estratégicos do quadro funcional da Câmara Municipal, responsável por funções administrativas centrais no funcionamento da Casa. Após o incidente, ele entrou em período de férias, enquanto o procurador solicitou formalmente à Mesa Diretora a abertura de uma sindicância para apurar os fatos e avaliar a eventual aplicação de medidas disciplinares, incluindo a possibilidade de demissão.
No entanto, o cenário mudou quando o então secretário solicitou aposentadoria por tempo de contribuição. Com a formalização do pedido e a consequente saída do cargo, o processo administrativo acabou sendo arquivado. Dados do portal de transparência do Legislativo municipal indicam que, após a aposentadoria, Gabriel passou a receber remuneração líquida mensal superior a vinte mil reais.
O episódio ocorreu em meio à tramitação de um projeto que tratava de convênios de assistência à saúde para servidores da Câmara. O debate incluía a possibilidade de adesão a planos oferecidos pela Geap, além de propostas de emendas relacionadas ao modelo de reembolso para parlamentares que optassem por contratar planos de saúde de forma independente.
Entre os pontos discutidos estava uma proposta que permitiria aos vereadores que não aderirem ao convênio receber reembolso integral da Câmara para outros planos de saúde contratados por conta própria, inclusive acima do teto atualmente estabelecido pelo auxílio-saúde, cujo valor varia de acordo com a faixa etária e pode atingir montantes elevados.
Nos corredores da Câmara, servidores interpretaram que a inclusão desses dispositivos poderia facilitar a aceitação do projeto entre os parlamentares, já que garantiria liberdade de escolha e cobertura ampliada para planos de saúde particulares. Ainda assim, o texto estabelece que a adesão ao convênio permanece opcional.
Em manifestação oficial, a assessoria do vereador Gabriel Abreu afirmou que as emendas apresentadas ao projeto foram pontuais e não alteram o objetivo central da proposta.
O arquivamento da sindicância encerra formalmente o caso no âmbito administrativo, mas o episódio permanece como um dos acontecimentos mais comentados nos bastidores da Câmara paulistana, ao expor tensões internas envolvendo decisões administrativas e interesses ligados à gestão de benefícios de servidores e parlamentares.