A indústria da construção civil brasileira começou o ano enfrentando um cenário de retração econômica e desaceleração das atividades. Dados da mais recente sondagem do setor apontam que o desempenho registrado em janeiro foi o mais fraco para o período desde 2017, refletindo dificuldades estruturais que vêm impactando empresas, trabalhadores e investimentos.
O levantamento revela uma queda no nível de atividade da construção, que atingiu 43,1 pontos no primeiro mês do ano, abaixo dos 44,7 pontos observados no mês anterior. Embora seja comum uma desaceleração entre dezembro e janeiro, o recuo atual foi considerado mais intenso e abrangente do que o normalmente registrado, indicando perda mais significativa de ritmo em diferentes segmentos da cadeia produtiva.
Outro sinal de preocupação está no mercado de trabalho. O número de empregados do setor apresentou retração pelo terceiro mês consecutivo. O indicador caiu de 45,7 pontos para 45,3 pontos na passagem entre dezembro e janeiro, demonstrando redução gradual da força de trabalho e menor geração de oportunidades em um dos setores que historicamente mais emprega no país.
A Utilização da Capacidade Operacional (UCO), que mede o nível de uso da estrutura produtiva das empresas, também apresentou desempenho negativo. O índice alcançou o menor patamar dos últimos quatro anos, evidenciando que construtoras e empresas ligadas à atividade estão operando abaixo de seu potencial produtivo.
Especialistas apontam que o principal fator por trás da desaceleração é o atual cenário de juros elevados. O encarecimento do crédito tem dificultado o acesso ao financiamento tanto para empresas quanto para consumidores, reduzindo investimentos em novos empreendimentos e afetando diretamente a demanda por obras e projetos imobiliários.
Com crédito mais caro, construtoras enfrentam maior dificuldade para iniciar novos projetos, enquanto compradores adiam decisões de aquisição de imóveis. Esse efeito combinado provoca desaceleração em toda a cadeia econômica ligada à construção, desde fornecedores de materiais até serviços especializados.
O impacto vai além do setor imobiliário, já que a construção civil possui forte efeito multiplicador na economia brasileira. A redução da atividade compromete geração de empregos, consumo de insumos industriais e arrecadação, ampliando os desafios para a retomada do crescimento econômico.
Apesar do cenário adverso, representantes do setor defendem medidas que estimulem o financiamento e ampliem o acesso ao crédito como caminhos essenciais para recuperar o dinamismo da construção. A expectativa é de que uma eventual melhora nas condições macroeconômicas possa restabelecer a confiança empresarial e impulsionar novos investimentos ao longo do ano.
Enquanto isso, o início do calendário econômico reforça um sinal de cautela: a construção civil, tradicional motor de desenvolvimento e emprego, começa o ano operando em ritmo reduzido e sob forte pressão financeira.