O governo do Estado de São Paulo decidiu desclassificar a agência Calix da concorrência pública destinada à gestão da comunicação institucional estadual. A decisão foi publicada nesta sexta-feira (15) e ocorreu após análise de recursos apresentados por empresas participantes do processo licitatório.
Segundo o documento oficial, a desclassificação aconteceu em razão do “descumprimento objetivo das regras editalícias”, devido à utilização de imagens em movimento em uma das peças apresentadas no projeto técnico da agência. O edital da concorrência previa vedação expressa a esse tipo de recurso audiovisual. A agência DPZ também acabou desclassificada no mesmo processo.
A Calix havia sido inicialmente apontada como vencedora da disputa milionária. A empresa pertence ao empresário Marcello Lopes, conhecido como Marcelão, aliado político do senador Flávio Bolsonaro. Lopes foi escolhido pelo parlamentar para coordenar a comunicação de sua pré-campanha presidencial.
A licitação promovida pela gestão do governador Tarcísio de Freitas prevê a contratação de quatro agências de publicidade para prestação de serviços de comunicação institucional, com orçamento estimado em R$ 300 milhões por ano. O contrato é considerado um dos maiores da área de publicidade governamental no país.
A decisão ocorre em meio a um cenário de desgaste político envolvendo Flávio Bolsonaro. Nesta semana, o senador passou a enfrentar repercussões após a divulgação de conversas atribuídas a ele e ao banqueiro Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O conteúdo foi divulgado pelo site The Intercept Brasil e envolve pedidos de apoio financeiro para a produção de um filme sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro.
De acordo com a reportagem, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões para financiar a cinebiografia do ex-chefe do Executivo federal. O episódio ampliou o debate político em torno da relação entre empresários, campanhas eleitorais e estratégias de comunicação ligadas ao grupo bolsonarista.
Marcello Lopes também foi mencionado em reportagens recentes ao lado de Thiago Miranda, proprietário da agência Mithi, como um dos supostos estrategistas envolvidos no chamado “Plano DV”, que teria como objetivo promover ataques ao Banco Central. O ex-policial civil do Distrito Federal nega participação em qualquer iniciativa dessa natureza.
A desclassificação da Calix pode provocar novos desdobramentos administrativos e jurídicos na concorrência do governo paulista, considerada estratégica para a comunicação institucional da atual gestão. Analistas políticos avaliam que o episódio aumenta a pressão sobre aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro e adiciona novos elementos ao cenário político nacional às vésperas das articulações para a corrida presidencial de 2026.