Disputa de R$ 42,75 milhões envolve rescisão antecipada, carta de demissão e versões divergentes sobre a saída do jogador para o futebol russo
A relação entre Flamengo e Gerson ganhou um novo capítulo longe dos gramados. O clube carioca e o meio-campista, atualmente no Cruzeiro, estão envolvidos em uma disputa judicial de R$ 42,75 milhões relacionada à rescisão antecipada de um contrato de direitos de imagem.
O processo também envolve Marcão, pai e empresário do jogador. Em uma manifestação recente à Justiça, o Flamengo contestou pedidos apresentados pela defesa de Gerson e adotou um discurso mais contundente ao questionar medidas solicitadas durante a tramitação da ação.
Entre os pontos de divergência está uma carta manuscrita atribuída ao jogador, na qual consta um pedido de demissão. A defesa solicitou uma perícia grafotécnica para analisar aspectos relacionados à autoria, assinatura e preenchimento do documento.
O Flamengo, por outro lado, argumenta que o próprio Gerson já teria reconhecido ter assinado a carta, razão pela qual considera desnecessária a realização do exame.
A Justiça rejeitou a produção das provas pericial grafotécnica e contábil solicitadas no processo. Também não prosperou o pedido apresentado por Gerson e Marcão para que o clube fosse condenado por má-fé.
Cobrança chega a R$ 42,75 milhões
O centro da disputa está em um contrato de imagem que havia sido firmado entre Gerson e o Flamengo. O clube sustenta que a saída antecipada do atleta provocou o rompimento unilateral do acordo e, consequentemente, acionou uma cláusula indenizatória.
Segundo a argumentação rubro-negra, ainda restavam 57 meses de contrato, com pagamentos previstos de R$ 750 mil mensais. A multiplicação desses valores resulta nos R$ 42,75 milhões cobrados judicialmente.
A defesa do jogador apresenta interpretação diferente sobre os acontecimentos. Gerson sustenta que sua transferência para o Zenit, da Rússia, ocorreu de maneira consensual e que a carta de demissão teria sido produzida seguindo orientação do próprio Flamengo para viabilizar a operação.
O meio-campista deixou o clube carioca em 2025, após o Zenit realizar o pagamento da cláusula rescisória de seu contrato esportivo. A transferência movimentou cerca de R$ 160 milhões.
A discussão judicial, entretanto, está relacionada ao contrato de direitos de imagem e às consequências de seu encerramento antes do período inicialmente estabelecido.
Relação entre as partes se deteriora
O tom adotado pelas duas partes demonstra que a disputa ultrapassou uma simples divergência contratual. De um lado, o Flamengo sustenta possuir direito à indenização prevista no acordo. Do outro, Gerson e seus representantes contestam a cobrança e afirmam que a transferência internacional ocorreu com conhecimento e concordância do clube.
A defesa do jogador já criticou publicamente a iniciativa judicial e questionou a postura do Flamengo. O clube, por sua vez, acusa os representantes do atleta de utilizarem medidas processuais para prolongar a ação.
Agora jogador do Cruzeiro, Gerson acompanha uma disputa que mantém em lados opostos duas partes que viveram uma relação esportiva marcada por títulos e protagonismo.
Com as perícias rejeitadas, o processo continua concentrado em uma questão fundamental: determinar as responsabilidades pelo encerramento antecipado do contrato de imagem e definir se os R$ 42,75 milhões reivindicados pelo Flamengo são efetivamente devidos.