Mulheres podem cantar sem véu? Rock com Batom estreia com debate sobre música e liberdade feminina

 

Videocast apresentado por Miss Angel Alva e Lady Von Day reúne mulheres no rock, cultura pin-up e entrevistas sobre protagonismo feminino, diversidade e liberdade de expressão.

Por Andreia Alvarez Schnorr — São Paulo | 1º de outubro de 2026

Cantar, escolher a própria roupa e ocupar um palco são formas de expressão que ainda encontram restrições. Em reportagem publicada em 30 de setembro, a revista VEJA informou que a cantora iraniana Parastoo Ahmadi foi condenada a 74 chibatadas por se apresentar sem hijab. O caso evidencia como a presença pública de uma mulher pode se tornar alvo de punição e oferece um contexto para discutir música, autonomia e direitos.

Essas questões atravessam o Rock com Batom, videocast que estreia nesta quinta-feira, 1º de outubro, às 17h, no YouTube. Apresentado por Andreia, Miss Angel Alva, e Dayla, Lady Von Day, o programa parte do rock’n’roll e da cultura pin-up para conversar sobre protagonismo feminino, diversidade e os desafios de construir uma carreira artística.

Respeitando as diferenças entre países e experiências, a temporada aborda obstáculos presentes nas trajetórias das convidadas: preconceito de idade, julgamentos sobre aparência, desigualdade de oportunidades e dificuldades de reconhecimento. Cantoras, atrizes, empreendedoras, pin-ups e artistas LGBTQIA+ participam de entrevistas que conectam histórias pessoais a assuntos de interesse público.

Do Senac à Cásper Líbero

A origem do Rock com Batom está ligada à formação de Andreia em jornalismo e radialismo no Senac. No curso de Radialista, ela teve aulas com Fernando Alves e Roberto Vilela Júnior, professores que também atuam como docentes da Faculdade Cásper Líbero.

Foi por intermédio de Roberto Vilela Júnior que Andreia participou de uma visita guiada à Cásper Líbero. O contato com a instituição e sua estrutura despertou o interesse em continuar os estudos na área de comunicação e motivou sua inscrição na pós-graduação em Jornalismo Digital e Inovação.

Em dezembro de 2025, como trabalho final do curso de Radialista, Andreia apresentou a primeira versão do Rock com Batom. O programa, de aproximadamente 15 minutos, reunia música, comportamento e referências vintage, com participação da Rubi Woo, banda feminina de rockabilly.

No ano seguinte, já na pós-graduação, a proposta ganhou formato de videocast durante a disciplina de Audiovisual. Com apoio do professor Júlio César Fernandes, o projeto passou a ser desenvolvido nos estúdios da Cásper Líbero, incorporando cenário, figurinos e entrevistas diante das câmeras.

A experiência profissional do docente também aproxima o ensino da prática de mercado. Em publicação institucional, a faculdade identifica Fernandes como executivo da Globo há mais de 15 anos. 

Duas pin-ups à frente das entrevistas

Andreia e Dayla são bacharéis em Design de Moda e especialistas em publicidade. Essa formação aparece na identidade visual do videocast, na composição dos figurinos e no interesse por como a imagem comunica escolhas e pertencimento.

Pin-up desde 2012, Andreia tem entre suas referências a própria mãe, Bettie Page e Lucille Ball. Sua trajetória reúne escrita, apresentação e produção de conteúdo. Ao lado de Dayla, leva esse repertório para conversas sobre comportamento, autoestima e expressão pessoal.

O figurino remete a outras décadas, enquanto as entrevistas abordam experiências contemporâneas. A relação entre aparência e identidade abre espaço para perguntar como cada mulher deseja ser vista e quais julgamentos enfrenta ao assumir suas escolhas.

O que é pin-up e como essa cultura aparece no programa

A estreia apresenta o universo pin-up e explica como suas referências são incorporadas a roupas, penteados, maquiagem e manifestações culturais. O episódio também mostra um evento de militaria em Vinhedo, aproximando a conversa em estúdio dos encontros que movimentam a cultura retrô.

No Rock com Batom, esse repertório visual ajuda a conduzir discussões sobre a relação das mulheres com a própria imagem. Envelhecimento, autoestima e liberdade de escolha aparecem como questões que atravessam diferentes gerações.

A música conecta essas experiências. O rock’n’roll e o rockabilly fazem parte da identidade do programa e oferecem caminhos para conhecer artistas, iniciativas e histórias ligadas à participação feminina na cultura.

Mulheres no rock e liberdade de expressão

A pergunta do título conduz a uma discussão mais ampla: quais condições permitem que uma mulher cante, trabalhe e se apresente publicamente com autonomia? Nas entrevistas, o tema é explorado a partir de experiências concretas, com atenção às oportunidades profissionais e aos obstáculos enfrentados pelas participantes.

O protagonismo feminino aparece tanto no palco quanto nos bastidores. Produção, comunicação, empreendedorismo e construção de uma identidade artística entram nas pautas conforme sua relação com cada convidada.

As conversas sobre direitos LGBTQIA+ ampliam o debate ao abordar segurança, reconhecimento e expressão pessoal. A proposta é ouvir como essas questões influenciam o cotidiano e o trabalho dos artistas, preservando as particularidades de suas histórias.

Pesquisa e espontaneidade na bancada

Andreia assina os roteiros e atua na produção, na captação e na edição audiovisual. Cada entrevista é preparada de acordo com a trajetória do participante, buscando perguntas que favoreçam relatos específicos e conectem lembranças pessoais aos temas do episódio.

Uma das marcas do formato é o “saquinho das perguntas”. Perguntas, palavras e objetos simbólicos servem de ponto de partida para histórias sobre escolhas, afetos e momentos importantes. A dinâmica acrescenta surpresa à conversa e permite que uma resposta abra caminho para novos assuntos.

Já o “Conselho da Tia Pin-up” leva situações do cotidiano à bancada. Com humor e troca de experiências, o quadro aborda relacionamentos, comportamento e amor-próprio. Entrevistas, reportagens e momentos descontraídos compõem o ritmo do videocast.

Convidadas da primeira temporada

Após a estreia dedicada à cultura pin-up, a programação prevê a participação de Iraci Martim, em 5 de outubro. Pin-up indígena com mais de 50 anos, ela conversa sobre identidade, representatividade e etarismo. O episódio também aborda linguagem, pertencimento e estereótipos relacionados aos povos originários.

Em 10 de outubro, Drag Tiffany participa de uma conversa sobre direitos LGBTQIA+, autoestima e expressão artística. No dia 15, Francis Helena Cozta, atriz de Chiquititas, compartilha experiências de atuação e carreira.

A sequência inclui a cantora Indira Castillo e Paty Presley, da All Right Mama, ampliando as pautas sobre mulheres na música, empreendedorismo e moda pin-up. Diferentes gerações e profissões permitem observar como as oportunidades de participação na cultura variam conforme cada trajetória.

Gravado na Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo, o Rock com Batom chega ao YouTube para reunir essas vozes. Entre música, cultura retrô e entrevistas, o programa procura conhecer os caminhos de quem conquista espaço para trabalhar, exercer sua liberdade e contar a própria história.

Serviço — onde assistir ao Rock com Batom

  • Programa: Rock com Batom
  • Apresentação: Andreia — Miss Angel Alva — e Dayla — Lady Von Day
  • Estreia: 1º de outubro de 2026, às 17h
  • Onde assistir: youtube.com/@ROCKCOMBATOMCAST
  • Instagram: @rockcombatom.cast
  • Gravações: Estúdios da Faculdade Cásper Líbero, em São Paulo
  • Inscreva-se no canal Rock com Batom para acompanhar os episódios e siga @rockcombatom.cast para conhecer as convidadas e os bastidores.
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