Ela tem voz marcante, estética de boiadeira moderna, com raiz forte e uma discografia que já passa de 100 músicas. Tem seguidores fiéis que comentam seus vídeos diariamente, músicas que tocam em bares da Zona Sul de São Paulo e um álbum completo disponível nas principais plataformas de streaming.
A maior curiosidade sobre ela é que Mari Santanna é uma cantora 100% criada com inteligência artificial. E foi a primeira do gênero sertanejo no Brasil.
O projeto nasceu da cabeça do publicitário e estrategista Aleo Gerez, profissional com mais de 27 anos de mercado na Creator Economy e 15 no Marketing de Influência, passagens por agências como Espalhe/Publicis, Non Stop Produções e Digital Stars/Webedia, e hoje Head de Influência e Diretor de Marketing e Planejamento Estratégico Digital. Aleo construiu sua carreira na interseção entre música, marcas e influência digital, trabalhou com Whindersson Nunes, Simone Mendes, Anitta, Neymar, Justin Bieber, Messi, Tata Werneck e dezenas de outros nomes que dominam as redes sociais brasileiras e mundiais. Foi também produtor digital da banda santista Aliados por mais de dez anos.
Toda essa bagagem foi colocada a serviço de um experimento inédito: criar uma artista sertaneja do zero, sem nenhum ser humano por trás do microfone e da melodia.
Do hobby ao fenômeno
Mari Santanna surgiu como parte do projeto Boiadeiros Digitais, que reúne também o cantor Leo Mendes Sertanejo, outro artista 100% gerado por IA. Mas foi Mari quem ganhou identidade própria com maior velocidade. Com avatar hiper-realista, estética visual cuidadosamente construída e uma personalidade artística de boiadeira contemporânea, conectada, sensível e com atitude, ela passou a acumular fãs que, em muitos casos, só descobriram que ela era uma IA depois de já terem se apegado às músicas.
“Todas as pessoas com quem conversei, quando descobriam que os Boiadeiros Digitais eram totalmente digitais, tinham a mesma reação: parecia que suas mentes explodiam com a informação. Muitos achavam que eu estava inventando história, que aquela música não era possível ter sido criada com inteligência artificial”, conta Aleo Gerez. “É um momento único nas nossas vidas, estamos vivenciando essas novidades de forma primeira, captando reações legítimas da audiência.”
O processo criativo é inteiramente conduzido por Gerez. As letras, todas elas, são escritas por ele. A inteligência artificial entra como camada de produção: voz, melodia, timbre, arranjo sonoro. O resultado é uma artista que consegue lançar músicas semanalmente, manter coerência estética entre os lançamentos e gerar engajamento real com um público que não distingue, e, cada vez mais, não se importa em distinguir, se o que está ouvindo veio de um estúdio convencional ou de um modelo generativo.
Números que a indústria ainda não sabe como classificar
O álbum de estreia de Mari Santanna, intitulado “Rancho da Boiadeira #1”, já está disponível no Spotify. A cantora virtual acumula mais de 8 mil seguidores no Instagram, com crescimento orgânico e engajamento consistente. A música “Do Jeito Que Der” registrou 1.500 compartilhamentos em uma semana, um resultado que a maioria dos artistas independentes humanos levaria meses para alcançar. Faixas como “Apagada”, “Tipo Dorama” e “Encontro no Apartamento” têm chamado atenção tanto nas redes quanto em estabelecimentos da Zona Sul paulistana, onde já chegaram às caixas de som de bares sem nenhuma ação de divulgação ativa.
O projeto também gerou cobertura no programa Domingo Espetacular, da TV Record, um marco que coloca a discussão sobre artistas virtuais definitivamente no radar da grande mídia brasileira.
Por que o sertanejo?
A escolha do gênero não foi casual. O sertanejo é o mais consumido no Brasil, com presença transversal nas diferentes classes sociais e regiões do país. Mais do que isso, é um gênero cuja força está na narrativa emocional das letras: amor, saudade, superação, festa. É exatamente nessa camada que Aleo Gerez mantém controle humano total. A IA executa. O autor é ele. As emoções são mais que reais, são autênticas.
“Antes tínhamos que esperar a música que queríamos passar na rádio para ouvi-la. Depois pudemos incluir as músicas que queríamos nas nossas playlists. Hoje é possível criar o tipo de música que gostamos de ouvir com inteligência artificial”, define Gerez sobre o momento da música que vivemos.
A aposta no sertanejo também revelou algo sobre o comportamento das novas gerações. Gerez observou de perto como jovens da Geração Alfa, os nascidos a partir de 2010, interagem com o conteúdo de Mari Santanna sem nenhum preconceito sobre sua origem. Para esse público, a pergunta relevante não é “quem fez?”, mas “isso me serve? Me emociona? Representa quem eu sou?”. Uma pesquisa da Razorfish e GWI (2024) aponta que mais de 60% dos jovens não diferenciam conteúdo humano de IA e não se importam com essa distinção.
O que vem a seguir
Mari Santanna não é um ponto de chegada. É o ponto de partida de um modelo que Aleo Gerez enxerga como o futuro da produção musical independente no Brasil. A cantora virtual deve ganhar videoclipes, participações em festivais digitais e, na visão do criador, colaborações com artistas humanos reais. A IA, nesse cenário, não substitui o talento humano: ela amplifica quem sabe usá-la com estratégia e sensibilidade cultural.
“As criações com inteligência artificial não visam competir com artistas humanos, mas expandir as possibilidades do entretenimento. Queremos unir IA com cantores reais em colaborações de sucesso, quem ganha é o grande público”, afirma Aleo.
O sucesso de Mari Santanna também abriu caminho para a expansão do conceito. Aleo Gerez já lançou RØMEO X & JULIETT, a primeira dupla de reggaeton urbano gerada com IA e pensada para alcance global, com lançamentos em múltiplos idiomas e estratégia de presença internacional desde o primeiro single.
Mari Santanna chegou sem avisar. Sem agência de booking, sem assessoria de imprensa tradicional, sem turnê. Chegou pelo refrão e ficou. Essa talvez seja a definição mais precisa do que a inteligência artificial está fazendo pela música: entrar pela porta dos fundos e sair pelo topo das playlists.
Sobre Aleo Gerez Nascido em Porto Alegre (RS), radicado em São Paulo (SP). Publicitário, estrategista de marketing digital e especialista em Creator Economy e Marketing de Influência. Criador dos Boiadeiros Digitais (Mari Santanna e Leo Mendes Sertanejo) e de RØMEO X & JULIETT. Head de Influência e Diretor de Marketing e Planejamento Estratégico Digital. Mais de 27 anos na Creator Economy e 15 anos de experiência com influenciadores e marcas como Adidas, Nike, Netflix, Coca-Cola e Guaraná Antarctica no Marketing de Influência.
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