Quando a memória mineira atravessa fronteiras

Por Cibele Laurentino

Há livros que não pedem apenas leitura pedem escuta. O Menino que Sonhava com Pão de Queijo, de Antônio Cançado de Araújo, em coautoria com Roseli Ferraz de Arruda, é um desses casos raros em que a memória individual se organiza com tal honestidade e precisão que passa a pertencer a muitos.

Lançada em 2026, a obra se inscreve na tradição da literatura memorialista brasileira, mas se distancia do sentimentalismo fácil. O que sustenta o texto é uma escrita digna, atenta ao detalhe, capaz de transformar cenas do cotidiano em matéria de reflexão sobre pertencimento, identidade e reinvenção. Ao recuperar a infância em Bom Despacho, cidade natal do autor, o livro reafirma uma ideia fundamental: quando bem contada, a história de um indivíduo carrega, por dentro, a história de um país.

Radicado na França desde 1986, na região de Lyon, Antônio Cançado construiu sua trajetória entre deslocamentos, idiomas e recomeços. Essa experiência atravessa a narrativa com naturalidade. O livro nasce profundamente mineiro no gesto, no olhar, na ética cotidiana  e, ao mesmo tempo, se abre ao mundo sem perder a raiz. A mineiridade aqui não é folclore: é postura diante da vida, é cuidado com a palavra, é senso de comunidade.

A chegada da obra ao Brasil será marcada por uma turnê que acontece entre o fim de janeiro e o início de fevereiro, desenhada como um circuito de diálogo e presença. Em São Paulo, o lançamento ocorre no dia 26 de janeiro, na Livraria Ponta de Lança, às 18h, seguido por um segundo encontro no dia 27 de janeiro, na Livraria Na Nuvem, às 19h. No dia 29 de janeiro, o livro chega a Brasília, em evento no Núcleo Acadêmico de Belas Artes, no Coco Bambu do Lago Sul, às 19h.

A turnê segue para o Nordeste com lançamento em João Pessoa, no dia 31 de janeiro, na Livraria do Luiz – Centro, às 10h, e depois em Salvador, no dia 4 de fevereiro, na Fundação Casa de Jorge Amado, no Pelourinho, às 16h, um gesto simbólico que conecta memória, literatura e patrimônio cultural brasileiro.

Em Minas Gerais, o retorno assume valor especial. Em Bom Despacho, no dia 6 de fevereiro, o lançamento acontece na Câmara Municipal, às 18h, reafirmando o vínculo entre origem e escrita. Já em Belo Horizonte, no dia 9 de fevereiro, a obra será apresentada na Biblioteca Pública Estadual, às 19h, encerrando a turnê brasileira em um dos espaços mais emblemáticos da cultura mineira.

O projeto editorial ultrapassa as fronteiras nacionais. Publicado em português e francês  Le Petit Garçon qui rêvait de Pão de Queijo , o livro integra um calendário internacional robusto. A edição em inglês será lançada no Salão Internacional do Livro de Genebra, no Palexpo, entre 18 e 22 de março. Na sequência, chegam as versões em italiano, com lançamentos em Bolonha e Roma, e em espanhol, prevista para Madri, em novembro.

A publicação em cinco idiomas não busca diluir a identidade brasileira, mas ampliá-la. Traduzir, aqui, é criar pontes. O núcleo permanece intacto: memória, perseverança, empreendedorismo e coragem de seguir, temas que dialogam com leitores de diferentes culturas e gerações. O livro também circula em ambientes ligados ao audiovisual, com participações em festivais de cinema brasileiro em Paris e Los Angeles, reforçando sua potência narrativa.

No coração da obra está a ideia de testemunho. O empreendedorismo surge como prática concreta de sobrevivência e escolha, sem romantização. A afirmação da identidade LGBTQIA+ aparece integrada ao percurso de vida, como expressão de liberdade, verdade pessoal e dignidade, sem discursos panfletários, mas com firmeza ética.

Disponível globalmente pela Amazon, em versão impressa e digital, o projeto aposta ainda na impressão sob demanda, alinhando-se a preocupações contemporâneas de logística e sustentabilidade.

O Menino que Sonhava com Pão de Queijo chega ao Brasil como livro e como acontecimento cultural. Em cada cidade, reafirma que lembrar não é apenas olhar para trás, mas organizar o vivido para seguir adiante. Ao transformar memória em escrita, Antônio Cançado de Araújo e Roseli Ferraz de Arruda oferecem ao leitor um Brasil humano, reconhecível e profundo  e levam ao mundo o orgulho mineiro inscrito em uma história construída com perseverança.

Adquira a obra na Amazon

Siga o autor: @omeninoquesonhavapaodequeijo

Previous post Justiça manda reter passaporte de dono da Polishop em disputa milionária com banco
Next post Quando envelhecer é recomeçar