Uma investigação conduzida pela Polícia Civil revelou um sofisticado esquema de lavagem de dinheiro associado à exploração ilegal de jogos de azar, desmontado durante a operação Quebrando a Banca. A ação trouxe à tona movimentações financeiras incompatíveis com a renda declarada de alguns investigados e evidenciou a estrutura organizada de um grupo criminoso que teria lavado quase R$ 100 milhões.
Entre os alvos da investigação está um homem que, oficialmente, atuava como operador de máquinas, com salário declarado de apenas R$ 1,8 mil mensais. Apesar disso, as apurações apontam que ele movimentou milhões de reais por meio de transações via PIX, chamando a atenção dos investigadores pela discrepância entre renda formal e fluxo financeiro. Segundo a polícia, o suspeito integrava a engrenagem financeira da organização criminosa, sendo utilizado justamente para evitar suspeitas iniciais por parte dos órgãos de controle.
As investigações indicam que o grupo se valia de pessoas de origem humilde para registrar contas bancárias e realizar movimentações vultosas, numa tentativa de mascarar a origem ilícita dos recursos. A estratégia, de acordo com os investigadores, tinha como objetivo dificultar o rastreamento do dinheiro e reduzir a visibilidade dos verdadeiros líderes do esquema.
Outro investigado, apontado como o principal articulador da organização, apresentou movimentações ainda mais expressivas. Apenas em um semestre, ele teria transacionado cerca de R$ 25 milhões, além de manter histórico de operações milionárias em anos anteriores. Para a polícia, esse padrão reforça a tese de que a quadrilha atuava de forma estruturada e contínua, com divisão de funções e planejamento financeiro sofisticado.
O delegado Ivan Luis Constâncio, responsável pela operação e integrante da Divisão Especializada em Investigações Criminais, explicou que as apurações tiveram início a partir de prisões relacionadas à prática de jogos de azar. Embora esse tipo de crime seja classificado como de menor potencial ofensivo, ele costuma funcionar como porta de entrada para delitos mais graves, como lavagem de dinheiro e organização criminosa.
Na mesma linha, o delegado divisionário Marcel Willian de Souza destacou que o esquema investigado demonstra como atividades aparentemente simples podem sustentar redes criminosas complexas, com alto poder financeiro e ramificações em diferentes municípios.
Durante a operação, foram cumpridos 14 mandados de busca e apreensão em cidades estratégicas do interior e da capital paulista, incluindo São Paulo, Ribeirão Preto, Mogi Mirim, Santa Rosa do Viterbo e São João da Boa Vista. A polícia apreendeu documentos, equipamentos eletrónicos e outros materiais que agora serão analisados para aprofundar o mapeamento financeiro do grupo.
As investigações prosseguem e a expectativa é que novos desdobramentos revelem a extensão total do esquema, bem como a identificação de outros envolvidos. O caso reforça o alerta das autoridades sobre o papel dos jogos ilegais como fonte de financiamento do crime organizado no país.