Grecianny Carvalho Cordeiro nos entrega, em Inventário de Perdas, mais do que um romance histórico: uma reconstrução necessária da trajetória de Maria Tomásia, figura praticamente esquecida pela historiografia oficial. A obra não apenas resgata um nome relegado ao rodapé dos registros sobre a colonização do Ceará, mas também subverte a narrativa tradicional ao colocar no centro uma mulher cuja coragem e liderança desafiaram os limites de seu tempo.
Ambientado no início do século XVII, o livro acompanha Maria Tomásia na árdua jornada de retirada da capitania do Siará rumo à Parahyba, após uma seca devastadora. Ao lado do esposo, Pero Coelho de Sousa, e de um grupo reduzido de colonos, ela enfrenta fome, sede e perdas irreparáveis. Contudo, em vez de permanecer na sombra do marido, Maria Tomásia se impõe como protagonista da própria história, assumindo a liderança da comitiva e garantindo sua sobrevivência.
O texto de Cordeiro se destaca pela densidade narrativa e pelo rigor histórico, mas o que realmente sustenta a força da obra é o olhar sensível e ao mesmo tempo implacável sobre sua personagem principal. A escritora transforma o pouco que restou nos registros sobre Maria Tomásia em uma construção literária envolvente, dando-lhe voz, emoções e camadas de complexidade que a tornam uma figura vibrante. O romance se move entre a dureza dos fatos históricos e a profundidade psicológica de sua protagonista, proporcionando ao leitor não apenas um panorama da colonização, mas um mergulho nas tensões, medos e bravura de uma mulher que recusou o papel de coadjuvante.
Ao fazer de Inventário de Perdas um tributo a Maria Tomásia, Grecianny Carvalho Cordeiro reafirma a importância de revisitar o passado com novas lentes. A obra não apenas ilumina uma heroína esquecida, mas também nos lembra que muitas histórias ainda aguardam para serem contadas – e que algumas perdas, quando recuperadas, tornam-se ganhos inestimáveis para a memória coletiva.
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