Com três vitórias por ippon, jovem judoca carioca conquista medalha de ouro nos Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar e confirma seu talento como uma das grandes promessas do esporte brasileiro.
O judô brasileiro ganhou um novo capítulo de destaque internacional com a conquista histórica de Clarisse Vallim, de apenas 16 anos, nos Jogos Olímpicos da Juventude de 2026, realizados em Dakar, capital do Senegal. A atleta carioca garantiu a primeira medalha de ouro do Brasil nesta edição da competição ao vencer a russa Anastasiia Dobrovolskaia na final da categoria até 78 quilos, disputada na terça-feira (3).
A vitória veio nos segundos finais de um confronto equilibrado e exigente. Demonstrando concentração e domínio técnico, Clarisse conseguiu imobilizar a adversária no solo e alcançar o ippon, pontuação máxima do judô, que encerrou o combate e assegurou seu lugar mais alto no pódio.
A conquista representa mais um resultado expressivo para uma atleta que, apesar da pouca idade, já acumula títulos internacionais e desponta entre os principais talentos da nova geração do judô brasileiro.
Campanha perfeita até a medalha de ouro
A trajetória de Clarisse em Dakar foi marcada pela eficiência. A brasileira venceu seus três confrontos por ippon, sem permitir que nenhuma adversária marcasse pontos.
Na estreia, pelas quartas de final, superou Arba Hasanaj, de Kosovo, utilizando uma chave de braço. Na semifinal, enfrentou a cubana Kayla Pita Zorrilla e repetiu a estratégia, garantindo sua classificação para a decisão.
A final apresentou o maior desafio da competição. Clarisse chegou a enfrentar dificuldades diante da adversária russa, que conseguiu colocá-la em uma situação perigosa de imobilização. A brasileira, entretanto, escapou e manteve a tranquilidade para buscar a vitória.
A menos de dez segundos do encerramento do tempo regulamentar, encontrou a oportunidade decisiva e conseguiu imobilizar Dobrovolskaia pelo tempo necessário para conquistar o ouro.
Do projeto social ao reconhecimento internacional
Natural do Rio de Janeiro, Clarisse começou a praticar judô aos quatro anos, incentivada pelo pai e pelo avô, ambos ligados à modalidade. Seus primeiros passos aconteceram no projeto social Samurais do Morro, localizado na Barreira do Vasco, na Zona Norte carioca.
Atualmente, a atleta representa o Flamengo e integra a seleção brasileira de base. Sua trajetória demonstra a importância dos projetos esportivos na formação de jovens talentos e na criação de oportunidades para crianças e adolescentes.
Antes do título olímpico juvenil, Clarisse já havia conquistado dois campeonatos mundiais cadetes consecutivos, em 2025 e 2026, na categoria até 70 quilos.
A mudança para a categoria até 78 quilos em Dakar não impediu seu desempenho. A judoca já havia demonstrado capacidade de adaptação ao conquistar o título dos Jogos Sul-Americanos da Juventude, no Panamá.
Uma conquista que fortalece o judô brasileiro
A medalha de Clarisse também amplia a tradição brasileira nos Jogos Olímpicos da Juventude. Antes dela, o país havia conquistado três medalhas individuais no judô: prata com Flávia Gomes, em 2010; ouro com Layana Colman, em 2014; e bronze com Eduarda Vaz, em 2018.
O resultado reforça a presença brasileira entre as potências da modalidade nas categorias de formação e evidencia o potencial de renovação do esporte nacional.
Os Jogos Olímpicos da Juventude de Dakar seguem até 13 de novembro, reunindo jovens atletas de diferentes países.
Para Clarisse Vallim, a medalha representa mais do que um título. É o reconhecimento de anos de treinamento, disciplina e dedicação. Aos 16 anos, a brasileira transforma sua trajetória em inspiração para novos atletas e demonstra que o futuro do judô nacional já apresenta resultados expressivos no cenário internacional.