Ex-deputado esteve em Washington com Paulo Figueiredo e apresentou ao governo norte-americano pedido de medidas contra Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino
O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) se reuniu nesta quarta-feira (16), em Washington, com integrantes do governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para defender a aplicação de sanções contra três ministros do Supremo Tribunal Federal (STF): Alexandre de Moraes, Gilmar Mendes e Flávio Dino.
Eduardo participou do encontro ao lado do empresário Paulo Figueiredo. A reunião ocorreu no Departamento de Estado norte-americano e faz parte de uma nova movimentação política dos dois nos Estados Unidos relacionada à atuação de integrantes da Suprema Corte brasileira.
Durante a conversa, Eduardo e Figueiredo defenderam que Moraes volte a ser alvo de sanções financeiras com base na Lei Global Magnitsky, instrumento utilizado pelos Estados Unidos para aplicar restrições a estrangeiros acusados de envolvimento em corrupção ou graves violações de direitos humanos.
Moraes já havia sido submetido a sanções norte-americanas em 2025, mas a medida foi posteriormente retirada. Agora, Eduardo busca convencer autoridades dos Estados Unidos a retomar as restrições.
Além de Moraes, os nomes de Gilmar Mendes e Flávio Dino também foram apresentados na reunião. O pedido para que medidas sejam adotadas contra os ministros parte de argumentos apresentados por Eduardo e seus aliados às autoridades norte-americanas. A eventual aplicação de qualquer sanção, entretanto, depende de decisão do governo dos Estados Unidos.
Sessão do Supremo entrou nas discussões
O encontro em Washington ocorreu um dia depois de uma sessão do STF que analisou questões relacionadas a um relatório da Polícia Federal no âmbito do caso envolvendo o Banco Master.
Antes da reunião nos Estados Unidos, Eduardo já havia anunciado publicamente que pretendia apresentar registros da sessão a interlocutores em Washington. O ex-deputado criticou manifestações feitas durante o julgamento e declarou que esperava que o episódio contribuísse para uma nova rodada de sanções.
A sessão terminou sem uma definição sobre uma eventual investigação envolvendo Alexandre de Moraes. Um pedido de vista apresentado por Flávio Dino interrompeu a análise de uma questão relacionada à tramitação de petições envolvendo Moraes e o ministro André Mendonça.
Durante o julgamento, Dino também se manifestou sobre a possibilidade de integrantes do STF serem novamente atingidos por medidas norte-americanas. O ministro criticou pressões externas sobre o Judiciário brasileiro e defendeu a soberania das instituições nacionais.
Relação entre STF e Estados Unidos
As articulações de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos já estiveram no centro de disputas judiciais no Brasil. Em junho, a Primeira Turma do STF condenou o então parlamentar a quatro anos e dois meses de prisão por coação no curso do processo.
Na decisão, os ministros entenderam que sua atuação junto a autoridades norte-americanas buscou pressionar integrantes da Corte e interferir em processos relacionados ao ex-presidente Jair Bolsonaro. A defesa de Eduardo sustentou no processo que sua atuação correspondia a interlocução política e ao exercício da liberdade de expressão.
A nova reunião em Washington demonstra que a discussão sobre eventuais sanções permanece aberta no campo político e diplomático.
A decisão final sobre a adoção de novas medidas contra autoridades brasileiras cabe ao governo norte-americano. Até o momento, não houve anúncio oficial de novas sanções decorrentes do encontro desta quarta-feira.