Com lançamento previsto para novembro de 2026, a escritora Cristina Carreira, com formação em Medicina Chinesa, Fitoterapia e Psicanálise, transforma uma antiga tradição em uma jornada infantil sobre emoções, memória e a descoberta da própria luz.
Há mais de mil anos, na China, uma sequência de treze pontos de acupuntura atravessou a história da Medicina Chinesa associada ao nome de Sun Simiao (581–682 d.C.) médico e pensador que viveu entre os períodos das dinastias Sui e Tang e se tornou uma das grandes referências médicas.
Conhecidos como os Treze Pontos Fantasmas, esses pontos integravam uma abordagem terapêutica destinada a manifestações complexas que envolviam alterações do comportamento, da mente, das emoções e do espírito.
Por que “fantasmas”? A palavra talvez pareça estranha aos olhos contemporâneos. Mas sua história revela algo profundamente humano.
Em diferentes épocas, sociedades recorreram às palavras e às explicações disponíveis para tentar compreender fenômenos que ainda não conseguiam explicar, tais como agitação extrema, convulsões ou alterações de consciência.
Mas os fantasmas não desapareceram da nossa linguagem. Ainda hoje chamamos de “fantasmas” aquilo que nos assombra, aquilo que carregamos do passado ou mesmo aquilo que ainda não conseguimos compreender e nomear. Falamos dos fantasmas da infância, dos fantasmas da memória, dos fantasmas de uma guerra, de uma família ou de uma geração.
Uma canção para atravessar o tempo
A sequência de pontos de acupuntura ficou conhecida também por meio da Canção dos Treze Pontos Fantasmas, asssociada à tradição de Sun Simiao.
Na China antiga, versos, ritmos e cadências eram importantes recursos de transmissão do conhecimento. Quando os livros eram raros e o aprendizado dependia também da memória, organizar ensinamentos dessa forma ajudava a preservá-los e transmiti-los de uma geração para outra.
Mas a relação entre música e cuidado vai além da memória. Ritmo, som e musicalidade atravessam diferentes culturas acompanhando práticas de cuidado e experiências capazes de mobilizar emoções, favorecer a expressão e criar outras formas de contato com o mundo interior.
Foi nessa interseção que surgiu uma nova leitura dos treze pontos: um percurso terapêutico preservado como canção poderia também inspirar um percurso narrativo.
Cada ponto ganhou, então, um lugar na viagem. Cada lugar, uma experiência. E cada experiência, a possibilidade de reconhecer e acolher algo que se passa no mundo interior da criança.
Aquilo que durante séculos chegou até nós sob o nome de “fantasma” encontrou, na linguagem da infância, uma nova imagem: a luz.
Assim nasceu o livro infantil Os 13 Pontos de Luz.
Uma menina, um velho sábio e treze lugares de luz
Na história, Sun Simiao deixa por alguns instantes as páginas dos antigos tratados e entra no território da imaginação como um velho sábio.
Ao seu lado está Fernanda, uma menina que observa que algo dentro dela já não brilha como antes. Começa, então, uma viagem por treze lugares simbólicos, inspirados na antiga sequência dos pontos.
Palácios, fortalezas, caminhos, cavernas, rios e outros espaços transformam o percurso em uma jornada de descoberta. Em cada etapa, Fernanda e o velho sábio conversam sobre uma emoção ou experiência que surge pelo caminho e descobrem o Ponto de Luz que na tradição da Medicina Chinesa, pode ser utilizado como recurso terapêutico para ajudar a restabelecer o equilíbrio.
Medo, inquietação, tristeza, raiva, segurança, identidade e alegria deixam, assim, de ser conceitos abstratos e passam a fazer parte da própria aventura: podem ser reconhecidos, nomeados e acolhidos.
Em cada etapa da viagem, Fernanda aprende a identificar aquele pequeno espaço que pede atenção e cuidado — o Ponto de Luz relacionado à experiência que está vivendo. É como se, ao reconhecer o que sente e descobrir onde cuidar, uma pequena luz pudesse se abrir novamente.
A viagem prossegue, tecendo uma pequena história em cada Ponto de Luz. Entre diálogos, emoções e descobertas, Fernanda percorre os treze lugares até que o reino volta a se iluminar — e compreende que a luz que procurava também existia dentro dela.
Cristina Carreira é escritora, com formação em Medicina Chinesa, Fitoterapia e Psicanálise. Em sua escrita, transita entre emoções, infância, memória e sabedoria ancestral, investigando histórias e transformações que atravessam a experiência humana. Seu trabalho mais recente também se volta para a literatura infantil, com histórias que acolhem o universo emocional da criança por meio de uma linguagem sensível, lúdica e acessível.
Participou da Feira do Livro de Frankfurt e da Feira do Livro de Belém, em Portugal, e integra a Academia Brasileira de História e Literatura e a Academia Internacional de Literatura Brasileira, além de participar de diversas coletâneas e antologias.
Recebeu o Prêmio de Melhor Conto no III Prêmio Sapiens de Literatura, além de Menções Honrosas da Rede Sem Fronteiras e da Academia Teresopolitana de Letras.

O livro “Os 13 Pontos de Luz “tem lançamento previsto para novembro de 2026.
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