A Justiça decidiu manter a prisão de Layla Lima Ayub, delegada de polícia recém-empossada, detida sob a suspeita de integrar o Primeiro Comando da Capital. A decisão foi tomada após audiência de custódia e reforça a gravidade das acusações que recaem sobre a policial, cujo caso provocou forte repercussão no meio jurídico e nas forças de segurança.
Layla foi presa juntamente com o companheiro, Jarden Neto Pereira da Cruz, conhecido como Dedel, apontado pelas autoridades como uma das lideranças da facção criminosa na região Norte do país, com atuação destacada no estado do Pará. Ambos respondem por tráfico de drogas e associação criminosa. Para os investigadores, há indícios consistentes de que o casal mantinha uma relação direta com atividades ilícitas ligadas ao crime organizado.
O caso chama atenção pelo fato de Layla ter tomado posse recentemente como delegada de polícia em São Paulo, passando a integrar a Academia de Polícia como aluna em formação. Mesmo após assumir o cargo, ela manteve vínculos pessoais e profissionais considerados incompatíveis com a função pública que passou a exercer. Em um dos episódios destacados no inquérito, a delegada levou o companheiro, já investigado por envolvimento com o PCC, a um evento oficial ligado à sua formatura, atitude classificada pelas autoridades como temerária.
No pedido de prisão, o Ministério Público descreveu a conduta como “audaciosa”, uma vez que Dedel se encontrava em liberdade condicional e descumpria determinações judiciais. Segundo os autos, ele teria violado restrições impostas pela Justiça ao deixar a cidade onde deveria permanecer, sem autorização prévia, configurando nova infração penal.
Outro ponto que agravou a situação da delegada foi sua atuação profissional após a posse. Mesmo já investida no cargo policial, Layla participou de uma audiência de custódia no Pará na condição de advogada de quatro detentos ligados ao Comando Vermelho, também investigados por tráfico de drogas e associação criminosa. A atuação levantou suspeitas sobre possível conflito de interesses e eventual uso de sua posição para beneficiar integrantes de facções rivais ou associadas.
As investigações indicam ainda que Layla teria atuado de forma próxima a lideranças do PCC na região Norte, auxiliando em esquemas de lavagem de dinheiro e oferecendo suporte jurídico e logístico à organização criminosa. Essas suspeitas fundamentaram o pedido de prisão temporária do casal, inicialmente fixada em 30 dias, com possibilidade de prorrogação por igual período, conforme prevê a legislação.
O histórico criminal de Dedel também pesa no processo. Ele já havia sido preso anteriormente após fugir do regime semiaberto e, segundo a promotoria, acumulava reincidências e descumprimentos judiciais. Informações obtidas a partir de redes sociais indicaram que ele planejava se mudar definitivamente para São Paulo para viver com Layla, o que teria motivado uma intensificação das diligências policiais.
O casal acabou preso em uma pensão, encerrando, ao menos temporariamente, uma investigação que expôs uma preocupante interseção entre o aparato estatal de segurança pública e o crime organizado. O caso segue sob apuração e pode ter desdobramentos relevantes tanto na esfera criminal quanto administrativa, reacendendo o debate sobre mecanismos de controle, integridade e fiscalização dentro das instituições policiais brasileiras.