Homens armados se passam por policiais e entram em escritórios políticos na Mooca

Episódios envolveram espaços ligados ao deputado Cezinha de Madureira e ao vereador João Jorge; veículo com identificação policial teria sido utilizado pelos suspeitos.

Homens armados que se apresentaram como policiais civis entraram em espaços políticos ligados ao deputado federal Cezinha de Madureira (PL) e ao vereador João Jorge (MDB), vice-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, na noite de quinta-feira, 1º de outubro. Os episódios ocorreram na Rua Paes de Barros, na Mooca, zona leste da capital paulista.

O grupo passou primeiro pelo comitê de campanha de Cezinha e, em seguida, dirigiu-se ao escritório político de João Jorge, localizado a cerca de três quarteirões. Os dois parlamentares mantêm parceria política e são membros da Assembleia de Deus do Brás (AdBrás).

As informações disponíveis apresentam versões diferentes sobre quem os homens procuravam no primeiro endereço. A assessoria de Cezinha afirmou que eles perguntaram por João Jorge. Outros relatos indicam que buscavam o próprio deputado, que não estava no local. A divergência permanece sem esclarecimento.

Assessoria relata abordagem no comitê

Inicialmente, o gabinete de Cezinha informou desconhecer o episódio. Depois, relatou que os homens chegaram ao comitê da Mooca vestidos como policiais civis e perguntaram pelo vereador.

Segundo a assessoria, eles deixaram o endereço pouco depois e seguiram para o escritório de João Jorge. O gabinete justificou a decisão de não registrar boletim de ocorrência afirmando que o grupo apenas perguntou pelo parlamentar e foi embora.

O relato da equipe de Cezinha, portanto, descreve uma passagem breve pelo comitê. Já no segundo endereço, João Jorge afirmou que os homens entraram e reviraram o imóvel à procura de dinheiro.

Vereador descreve ação no escritório

De acordo com João Jorge, quatro pessoas estavam em seu escritório quando os suspeitos chegaram em um veículo identificado como pertencente à Polícia Civil de Taboão da Serra, na Grande São Paulo. O espaço é mantido com recursos da Câmara Municipal.

O vereador relatou que dois homens entraram no imóvel, enquanto outros dois permaneceram no carro. Segundo ele, um dos invasores exibia um distintivo, e os funcionários questionaram se havia mandado judicial. A resposta teria sido negativa.

Ainda conforme o parlamentar, a ação durou aproximadamente 20 minutos. Os homens teriam procurado dinheiro, revirado o escritório e saído sem levar objetos. João Jorge afirmou que ninguém ficou ferido.

Após o episódio, o gabinete do vereador entrou em contato com a Polícia Civil e recebeu a informação de que os envolvidos não eram agentes da corporação. Imagens de câmeras de segurança foram coletadas.

Veículo teria sido clonado

A Polícia Civil de São Paulo emitiu um alerta sobre um carro clonado com identificação da 1ª Delegacia de Polícia de Taboão da Serra. Esse veículo teria sido utilizado pelo grupo que passou pelos dois endereços.

Apesar do contato com a corporação, os parlamentares optaram por não registrar boletim de ocorrência. Os relatos ainda não esclarecem a identidade dos envolvidos, a motivação das abordagens ou quem era efetivamente procurado no primeiro comitê.

O episódio também não permite estabelecer relação com outros acontecimentos envolvendo os parlamentares. A sequência das ações e o uso de identificação policial permanecem entre os pontos que precisam ser esclarecidos.

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